Revista Reformador

Calúnia

Em todos os tempos do desenvolvimento ético e moral do ser humano, esse processo fez-se acompanhar de bênçãos promotoras de iluminação, assim como de desaires afligentes que também fazem parte da evolução.

Não poucos acontecimentos históricos de alta relevância se derivaram de calúnias bem urdidas que passaram como fatos verídicos que geraram tragédias.

A calúnia é arma de Espíritos mesquinhos que a utilizam como recurso para abater aqueles que lhes inspiram inveja, amargura pela própria pequenez.

O caluniador é enfermo espiritual que se compraz em perseguir, mediante a utilização de covardes acusações contra todo aquele que lhe parece superior e não consegue superar.

Ao reconhecer os limites em que se encontra, busca apoio em outros, que são nobres, para tornar legítimas as suas acusações, porque destituídas de valores enobrecidos, pois sabe que não será acreditado nas suas denúncias infelizes, inverídicas.

Portadores de imaginação fértil, transformam facilmente ocorrências e condutas dignas em desídias e desvios. Ao utilizarem-se de meias verdades, estabelecem os seus programas de forma espantosa, que surpreendem as pessoas menos avisadas e as convidam à adesão, o que muitas vezes é conseguido.

A calúnia expande-se com facilidade por ser portadora das misérias morais humanas comuns na maioria dos membros da sociedade, enquanto se encontram nas faixas primárias da evolução.

Com grande habilidade, consequência de suspeita infundada, Herodes, o Grande, denunciou a esposa Marianne, que o ajudara a conseguir o trono, como adúltera, e mandou matá-la após julgamento arbitrário, no qual a mãe da princesa, sob ameaça do déspota, testemunhou contra a filha inocente.

Domício Nero e sua corte devassa imputaram aos cristãos o incêndio de Roma, que ele mandara realizar, e abriu espaço para o martirológio daqueles que viviam de maneira ímpar, seguindo a doutrina do Mestre Jesus.

Nunca houve um período no qual a hediondez da calúnia não haja estado presente.

O julgamento de Jesus e sua crucificação foram resultado das calúnias dos fariseus e do Sinédrio.

Durante a sua jornada muitas vezes Ele enfrentou os inimigos que o caluniavam e os compreendeu na sua inferioridade.

Allan Kardec, o missionário da Revelação Espírita, foi caluniado e ainda prossegue, mantendo-se incorruptível na sua missão libertadora, pela verdade e pelo amor que dedica à Humanidade.

Os médiuns, em geral, sempre foram crucificados pelas calúnias mais perversas.

Na Idade Média eram consumidos nas fogueiras, e hoje perseguidos pela infâmia de companheiros invejosos, quando são fiéis ao ministério que abraçam.

Não te creias imune à calúnia. Talvez ignores, mas és também vítima de muita sordidez que, felizmente, não te alcançou.

No comportamento humano as disputas de posição, as perseguições por antipatias são o cotidiano de vidas incontáveis.

Animosidades do pretérito, ojeriza do presente dão lugar a inimizades injustificáveis e a lutas morais sem sentido.

Todo indivíduo que se destaca na multidão, em face dos ideais e da abnegação que esposam, despertam sentimentos contraditórios em outros, que se levantam furibundos contra a sua dedicação, por serem incapazes de servir e de amar, em processo de construção do bem nos corações. Espalham azedume e reações perturbadoras como vingança, reconhecendo que não são capazes de fazer o mesmo, permanecendo em posição inferior.

Nesses embates a calúnia é utilizada como vírus de desmoralização contra qualquer um que é considerado, dessa forma, adversário.

Não te surpreendas, pois, com as perseguições periódicas dos desvairados, que não se comprazem com o que conseguem.

Anelam muito mais, porque o seu vazio existencial é resultado de atos ignóbeis no ontem, no seu passado espiritual como no hoje, na atual reencarnação.

Não aceites a calúnia apresentada por ninguém.

Ignora-a, mantendo-te irretocável mediante os teus atos.

Persevera no teu compromisso como se nada houvesse acontecido. Em realidade, nada ocorreu, porque tu sabes a verdade e o teu acusador também é dela conhecedor.

Nunca vitalizes a infâmia, valoriza a verdade e não dês importância às acusações dela defluentes.

Há um tribunal inviolável em cada ser humano, sediado na consciência, do qual ninguém foge.

Ele sempre atua, às vezes, um pouco tardiamente, mas sempre surge no infrator, a fim de dar-lhe chance de reabilitar-se.

Confia na dádiva do tempo que tudo aclara e transforma.

O teu silêncio é a resposta inesperada ao acusador, que aguarda o ensejo de prolongar a luta, mediante discussões impróprias.

Todo aquele que se destaca na massa humana e chama a atenção, faz-se vítima da chalaça dos tíbios, da inveja dos mesquinhos, da calúnia dos portadores de complexo de inferioridade.

Ora por eles e ama os teus caluniadores.

Eles merecem a tua compaixão.

O mundo humano estertora em dores contínuas.

A falta de amor enlouquece os grupos sociais desarvorados.

As injustiças de todo tipo enfurecem os fracos e abandonados.

A indiferença mata esperanças.

Distribui alegria e bondade.

Sorri e ajuda.

Jesus conta contigo entre os espinhos das calúnias e pedradas da difamação.

(Pagina psicografada pelo médium Divaldo Pereira Franco, na sessão mediúnica da noite de 9 de julho de 2018, no Centro Espírita Caminho da Redenção, em Salvador, Bahia.)