Revista Reformador

A figueira que
secou

Pedir frutos a uma figueira que fora de época não os pode dar é mais um ensino do Mestre Nazareno para que não exijamos do próximo o que ele ainda não é capaz de oferecer.

Sabedores de que só podemos dar o que possuímos, e quando oferecemos o que não temos estamos ludibriando e enganando com mentiras ou subterfúgios, faz-se mister que esforços sejam empreendidos para a conquista de nossas verdadeiras posses: conhecimento, aperfeiçoamento da inteligência e o desenvolvimento das virtudes que aguardam serem germinadas na intimidade para que venham a florescer nas massas.

Para que frutos sejam produzidos, há uma longa estrada a ser percorrida, que perpassa a sementeira: os cuidados com a terra; a espera paciente para o desenvolvimento; a confiança, como condição para que a Lei Natural forje, no calor da terra, A figueira que secou sob o ardente sol e o frescor do orvalho, ou da água irrigada, o desabrochar vencedor da pressão que a terra imprime na semente, fazendo-a renascer em broto exposto ao ar livre, desta feita sob o bafejar do vento e do calor não mais ardente, porém nutriente, possibilitando o crescimento da árvore frondosa que, na época apropriada, oferece as flores e os frutos de sua identidade. Este percurso faz-nos compreender o ensino da figueira seca que, embora frondosa, não dava frutos e foi lançada ao fogo devido à sua inutilidade.

Do ensino de Jesus depreendemos, na pequenez de nossa compreensão, que não devemos exigir frutos fora de época a quem ainda não é capaz de produzi-los. Necessário se faz, portanto, aguardar pacientemente e, de forma solidária, se possível, ajudando pelo testemunho, caso já se consiga produzir o fruto ensejado.

Assim é a vida de relação, que possibilita o aprendizado mútuo, a ajuda e, sobretudo, o servir.

Diante, pois, da “figueira seca”, tem-se a oportunidade de oferecer os frutos conquistados, conforme a caridade recomenda: a benevolência; a compreensão paciente; a tolerância baseada na confiança irrestrita de que todos, indistintamente, um dia, seremos árvores frutíferas; o entendimento da Lei de Ação e Reação que oportuniza o aprimoramento na vida de relação; e a convicção de que a existência tem um propósito comum a todas as criaturas: a prática do Bem.

Trabalhemos para que a nossa vida seja um feito de frutos, conforme Jesus orientou, a fim de que a caridade seja o aval de nossas atitudes e as figueiras secas sejam extirpadas pela regeneração e venham a produzir frutos na Vinha do Senhor, enquanto há tempo.