Revista Reformador

Casamento feliz

Considerando que estão em moda os manuais de autoajuda, arrisco-me a oferecer ao querido leitor três regrinhas básicas para um casamento dos sonhos.

1. Gentileza
Diz André Luiz:

Trate os familiares como você trataria uma visita.

Geralmente para as visitas mostramos a parte iluminada de nossa personalidade.

Por que não oferecê-la à gente de casa?

Uma saudação alegre, a lembrança de uma data, o presente singelo, o gesto de louvor, o reconhecimento de um benefício, o elogio franco – são iniciativas mágicas. Têm peso de ouro na economia doméstica.

Em princípio, os familiares poderão estranhar, mas é preciso insistir na gentileza, ainda que algum deles, por estranheza ou impertinência, responda ao nosso bom dia!, perguntando:

– Bom dia, por quê? Por que você acha que meu dia será bom?

  1. Elogio

As pessoas tendem a se comportar da maneira como as vemos. Destacar virtudes é uma forma de desenvolvê-las. Estar sempre apontando mazelas e imperfeições é a melhor maneira de exacerbá-las.

É como regar plantas. Se regarmos espinhos, teremos um espinheiro. Melhor regar flores – teremos um jardim.

Dependendo da maneira como o tratamos, o príncipe encantado pode transformar-se num sapo. Melhor colaborar para que o sapo se transforme num príncipe encantado.

Um homem machista, do tipo tirano doméstico, cujo casamento estava em crise justamente pelo seu comportamento, ouviu o seguinte conselho de um amigo:

Incapaz de ver além do próprio umbigo, ele comentou:

O amigo, que o conhecia bem e era muito franco,  respondeu:

E o amigo:

– Consegue conviver com você!

  1. Diálogo

Um dramaturgo culto e inteligente apaixonou-se por uma jovem e decidiu pedi-la em casamento. Não usou a fórmula comum:

Disse, simplesmente:

Eis a base de um casamento feliz: uma longa conversa a estender-se vida afora.

Quando os cônjuges perdem o gosto pela conversa, o amor logo vai embora.

A disposição de dialogar, usando de sinceridade, é excelente recurso para aparar as arestas domésticas.

Porém é preciso observar um cuidado fundamental:

Não resvalar para a agressividade, transformando a conversa em pancadaria verbal, com uso farto e lamentável de gritos e palavrões.

Quando as pessoas perdem o controle, acabam falando ou fazendo coisas irreparáveis. Um casamento pode ser destruído numa discussão ácida.

Nesses momentos é importante usar a água da paz, sugerida por Chico Xavier:

Quando a conversa começa a esquentar perigosamente, ir até o filtro e tomar um gole d’água.

Detalhe: conservá-la na boca, sem engolir, até esfriar a língua. Quando um não quer, dois não brigam.

Há outro recurso interessante:

Um casal comemorava bodas de ouro, um casamento feliz de meio século. Alguém lhes perguntou qual o segredo de tão longa e feliz convivência.

Responderam:

– Quando nos casamos, combinamos que se o ambiente começasse a esquentar no lar, um de nós faria uma caminhada no campo.

Ambos tinham o aspecto saudável de quem vai frequentemente ao campo.

Todas estas fórmulas são ótimas, porém é preciso reconhecer que qualquer iniciativa em favor da estabilidade do casamento será sempre precária, se não estiver inserida no contexto de uma existência voltada para o bem e a verdade.

Pouco conseguiremos se não estivermos interessados, acima de tudo, em trabalhar em favor de nossa própria renovação.

Nesse aspecto não há outro caminho senão aquele que se  exprime no empenho de conquistarmos as marcas do Cristo, dispostos a sacrificar os interesses pessoais, as exigências, as brigas, em favor do bem comum.

O casamento sempre melhora quando melhoramos.