Revista Reformador

Escândalos

Joanna de Ângelis (Espírito)

A palavra escândalo significa todo e qualquer ato que atenta contra os bons costumes, as ações que desrespeitam as leis estabelecidas e os comportamentos que ferem os padrões da ética.

Pode-se dizer que é uma violência contra o equilíbrio que deve viger no grupo social em que os direitos e deveres de cada cidadão são respeitados e lhe definem o caráter moral.

O escândalo tem várias causas endógenas e exógenas. As primeiras decorrem do passado espiritual de cada qual, que resulta do desequilíbrio em forma de agressividade e poder investido contra os demais, dando lugar a situações deploráveis. As exógenas são decorrência da educação doméstica, do meio social em que se desenvolveu e estruturou a personalidade ou dos vícios que levam à alucinação, como o álcool e as substâncias adictivas.

Jesus referiu-se à sordidez dessas atitudes e ao atrevimento das agressões aos costumes éticos.

Informou que era necessário o acontecimento escandaloso para poder-se aquilatar e manter-se o respeito por tudo quanto estimula o progresso e mantém a ordem.

Também considerou a atitude daqueles que se ocupam de desvelar essas feridas morais da alma humana, como se não fossem portadores de males igualmente reprocháveis.

Certamente não insinuou a conivência ou o silêncio culposo, tampouco a atitude cínica de ocultação do ato indigno, de modo que se transforme em atitude de escândalo.

Vive-se, na Terra, um período de agressividade, de despautério, de morbidez, que não tem como ser silenciado. De tal maneira se repetem os fatos censuráveis que, de alguma forma, alguns deles quase adquiriram cidadania social, gerando aceitação com certa naturalidade.

Na linguagem, as palavras chulas tornaram-se comuns e expressam vulgaridades que se permitem as pessoas que se deveriam comportar corretamente.

O mesmo tem sucedido nos relacionamentos, nos negócios, na interpretação das Leis, chegando-se ao caos, no que diz respeito à correção moral.

De igual maneira, condutas degradantes se fizeram tão comuns que parecem não merecer a menor censura.

A família se encontra quase totalmente desestruturada, impossibilitada de conduzir com equilíbrio os seus membros assim como educar os filhos.

Valores morais cedem lugar aos subornos quase legais e as grandes responsabilidades ficam à margem para se transformarem em infrações e alucinados conciliábulos de desonestidade, furto, dissimulações…

Não seja pois, de estranhar-se que a própria sociedade cambaleie por falta de alicerces de segurança moral e espiritual.

Em toda parte se verificam situações equivocadas quanto vergonhosas, que ensejam desânimo e tristeza.

Proceder-se bem é quase uma atitude repreensível…

Quando esses escândalos ocorrem com pessoas aparentemente respeitáveis e socialmente saudáveis a ressonância em outras existências é perturbadora, de consequências imprevisíveis. No coletivo humano estimulam a criminalidade e a desintegração da dignidade.

Felizmente as Divinas Leis aguardam aqueles que as de fraudam para aplicar os corretivos severos que se fazem necessários.

Toda criatura humana é portadora de fragilidade moral que deve ser corrigida no transcurso da existência, razão pela qual a reencarnação é de alto significado para todos os Espíritos.

A conduta correta não é mais uma virtude, mas um dever que se faz necessário ser exercido conscientemente e sem possibilidade de defecção.

Para que assim ocorra, o Evangelho de Jesus oferece a mais eficiente proposta moral e espiritual para o processo de rápida evolução.

O seu conhecimento e prática proporcionam responsabilidades irrecusáveis que se transformam em compromisso de imediata aplicação.

Os Espíritos do Senhor vêm à Terra a fim de ampliar o conhecimento dos postulados evangélicos e aqueles que os abraçam comprometem-se a vivenciá-los de maneira integral.

Nada obstante, a sagacidade de alguns indivíduos leva-os a ações hediondas que mascaram com cinismo e aparente ingenuidade.

Qual ocorre em todos os grupos sociais, os médiuns são convidados a assentar o seu trabalho em nobres responsabilidades com respeito ao próximo quanto a si mesmos.

A fraternidade que se faz necessária entre todos não pode ultrapassar os limites do respeito e da consideração moral, indispensável ao exercício da faculdade, assim como à assistência dos bons Espíritos, que somente se comunicam por meio daqueles que são humildes e honestos. A princípio, enquanto se depuram, os servidores da mediunidade recebem as orientações dos seus guias, indispensáveis à conduta grave, de modo a estabelecerem com naturalidade o comportamento cristão que deve ser mantido com todas as pessoas.

Apesar disso, a sagacidade de alguns exibicionistas e exploradores leva-os à prática de ações hediondas, que disfarçam para a própria infelicidade.

Se o escândalo é de efeito danoso entre os seres encarnados, quando os mesmos ocorrem nos santuários da fé de qualquer doutrina, religiosa ou não, nos educandários, nas oficinas de trabalho, são mais degradantes e perversos.

As vítimas que forem ludibriadas e abusadas passam a carregar pesados fardos de amargura, de desespero, de desconfiança, de ceticismo em relação ao seu próximo onde estiverem.

Todas as consequências infelizes dessas ações nefandas decorrentes são de responsabilidade do infrator, que não tem ideia do gravame cometido. Às vezes, séculos se sucedem até que se dê a reparação dos males praticados.

Não te permitas nunca leviandade na existência, especialmente em razão dos compromissos assumidos na Espiritualidade, assim como aqueles que dizem respeito à convivência com o próximo.

Envolve-te na lã do Cordeiro de Deus e sê simples, dedicado e puro de coração.

Não te iludas com os transitórios prazeres, que enlouquecem, nem com os tesouros da ilusão, que se desfazem facilmente

Sê fiel em todos os teus atos, gentil e correto em teus compromissos e nobre em tuas afeições.

(Página psicografada pelo médium Divaldo Pereira Franco, na sessão da noite de 17 de dezembro de 2018, no Centro Espírita Caminho da Redenção, em Salvador, Bahia.)