Revista Reformador

Espiritismo e perdão¹

O perdão, no conceito das religiões não reencarnacionistas, significa “apagar as faltas”. Limpar a alma do pecado, ou seja, do mal praticado. Eximir de responsabilidade. A conceituação doutrinária do Espiritismo acerca do tema “perdão” é bem outra.

O perdão, segundo a Doutrina Espírita, não alarga as portas do erro; pelo contrário, restringe-as, sobremaneira, por apontar responsabilidades para quem estima a leviandade e a injúria, a crueldade e o desapreço à integridade moral ou física, dos companheiros de luta, na paisagem terrestre.

De acordo com os preceitos espíritas, não há perdão sem reparação consequente.

O perdão que o Espiritismo e os amigos espirituais preconizam em verdade não é de fácil execução. Requer muito boa vontade. Demanda esforço – continuado, persistente. Reclama perseverança. Pede tenacidade. Não se veste de roupagem fantasiosa, não se emoldura de expressões simplesmente verbais.

Os postulados espíritas indicam-no por concessão de nova ou novas oportunidades de resgate e reparação dos erros praticados e dos males que deles resultaram.

Não há perdão real, legítimo, definitivo, evangélico, doutrinário, quando o ofendido não se inclina a ajudar o ofensor, a servi-lo cristãmente, a socorrê-lo nas necessidades de qualquer natureza, se preciso.

O maior beneficiário do perdão não é, como parece, aquele que o recebe, mas o que o concede. Quem perdoa liberta o coração para as mais sublimes manifestações do amor que eleva e santifica.

Aquele que perdoa transpõe os pórticos da Espiritualidade, na morte do corpo físico, com a paz na consciência, a luz no Espírito, o consolo no coração.

¹ N.R.: PERALVA, Martins. O pensamento de Emmanuel. 9ª ed. 4ª imp. Brasília: FEB, 2016. cap. 24 – Perdão . Transcrição parcial. (Título interposto pelo Editor de Reformador.)