Revista Reformador

Novas maravilhas

Cada revelação ao seu tempo! Jamais se desvelou completa nos seus primeiros momentos. Apresenta-se sempre em conformidade com o conhecimento vigente e a maturidade do pensamento contemporâneo e, naturalmente, com o tempo, passa a ser estudada, questionada, compreendida e aplicada.

As imagens da vida terrena e da vida de Além-Túmulo, enquanto não reveladas, foram objetos de intepretações pessoais e de sistemas criados para atenderem aos interesses personalistas, institucionais ou políticos.

Somente com Jesus a vida futura e a imortalidade se desvelaram de fato, mas a pequenez e a ignorância dos homens não possibilitaram o entendimento das novas maravilhas que revelavam; por isso, Ele prometeu outro Consolador, que explicaria tudo aquilo que não foi possível esclarecer à época porque faltavam, ainda, os elementos necessários à devida compreensão de sua mensagem. Estando madura a Humanidade para compreender e penetrar o conhecimento sobre o seu destino e contemplar aquelas novas maravilhas, Deus permitiu que os Espíritos viessem conversar com a humanidade corpórea, pela mediunidade,para dizer-lhes:

“Nós existimos, logo, o nada não existe; eis o que somos e o que sereis; o futuro vos pertence, como a nós. Caminhais nas trevas, vimos clarear-vos o caminho e traçar-vos o roteiro; andais ao acaso, vimos apontar-vos a meta. A vida terrena era tudo para vós, porque nada víeis além dela; vimos dizer-vos, mostrando a Vida Espiritual: a vida terrestre nada é. A vossa visão se detinha no túmulo, nós vos desvendamos, para além deste, um esplêndido horizonte. Não sabíeis por que sofreis na Terra; agora, no sofrimento, vedes a Justiça de Deus. O bem não produzia nenhum fruto aparente para o futuro; doravante, ele terá uma finalidade e constituirá uma necessidade; a fraternidade, que não passava de bela teoria, assenta agora numa Lei da Natureza. Sob o domínio da crença de que tudo se acaba com a vida, a imensidade é o vácuo, o egoísmo reina soberano entre vós e a vossa palavra de ordem é: ‘Cada um por si.’ Com a certeza do futuro, os espaços infinitos se povoam ao infinito, em parte alguma há o vazio e a solidão; a solidariedade liga todos os seres, aquém e além da tumba. É o reino da caridade, sob a divisa: ‘Um por todos e todos por um.’ Enfim, ao termo da vida dizíeis eterno adeus aos que vos são caros; agora simplesmente
direis: ‘Até breve!’.”1

REFERÊNCIA:
1 KARDEC, Allan. A gênese. Trad. Evandro Noleto Bezerra. 2. ed. 1. imp. Brasília: FEB, 2013. cap. 1 – Caráter da revelação
espírita, it. 62.