Revista Reformador

O Centro Espírita

Já é de todos conhecida a noção tripartite que traduz o Centro de trabalhos do Espiritismo em suas formas de hospital, escola e templo.

Embora devamos nos recolher com dedicação para compreender as implicações do modelo tripartidário, urge não esquecer que a vida, e todos os seus locais, são templos de manifestação da Suprema Bondade.

Segmentar as nossas vidas entre o que é e o que não é ação espírita reflete a nossa incapacidade de reconhecer a abrangência e a intensidade da mensagem espírita como vetor impulsionador de nossa perenidade imortal.

Para aqueles que compreenderam a Vontade de Deus, a vida não tem espaço para o que não seja a execução do plano pessoal de alinhamento à vontade divina.

Se o Centro Espírita é uma expressão da sociedade espiritual em que a Suprema Bondade transforma Espíritos em médicos, professores e sacerdotes, é justo reconhecer que a vida nos convida ao exercício das lições em todos os espaços nos quais nos fizermos enfermeiros, monitores e vestais. Nossa condição de aprendizes reclama a urgência da dedicação. O tempo entre a lição e o exercício não pode mais demorar séculos, sob pena de adiarmos o nosso entendimento da felicidade.

Precisamos compreender o espaço da vida em um Centro, que é hospital, escola e templo, mas urge entender que espírita é a condição de equilíbrio da nossa existência. É hora de pensar na vida espírita. Tal mudança de perspectiva implica uma revisão, não de caráter corretivo, mas progressivo, dos compromissos de trabalho coletivo das casas dedicadas à causa kardequiana.

Primeiro é preciso ouvir a mensagem dada pelos Espíritos na insuperável síntese da Codificação. A obra de Kardec tem sido lida como sagrada e muitos não se aperceberam da natureza iluminadora que o seu estudo deve provocar e desenvolver.

Que a escola espírita invista na formação do pensamento cristão destituído das amarras do dogmatismo sectarista para o comprometimento do ser com o ideal da verdadeira libertação: a compreensão e vivência de nossa natureza imortal. É preciso fortalecer o estudo da codificação para que ela continue sendo o lastro fundamental das lições da vida. A vida ensina. O Espiritismo explica.

Em segundo lugar, é preciso ampliar as fronteiras do hospital espírita, traduzindo a mensagem consoladora em remédio para a Humanidade. Não se põe o candeeiro sob o velador.

A literatura espírita é manancial de consolação, mas cabe-nos o dever de distribuir sua força curativa para os doentes do Espírito que não têm forças para aportar aos hospitais das almas. Iluminar a alma é acender uma chama de felicidade. O Espiritismo ilumina!

Em terceiro lugar, é urgente construir o trabalhador espírita para a Nova Era! Somos almas acostumadas ao mundo de expiações e provas, mas estamos na transição para uma realidade nova de Regeneração. O trabalhador que pensa e age nos moldes da expiação e de provas está em necessidade de progresso para o mundo de regeneração, o qual reclama:

• Espírito colaborativo.
• Atitudes de respeito.
• Entendimento dilatado.
• Coração bondoso.
• Responsabilidade coletiva.
• Desprendimento de ideias.
• Ação caridosa a todo tempo e circunstâncias.

O imperativo do Trabalho, Solidariedade e Tolerância deverá sair da especulação teórica para transformar-se em prática educativa de todas as horas. Seja você a bondade no mundo. O Espiritismo pacifica!

(Página psicografada pelo médium André Henrique de Siqueira, em 8 de junho de 2018, durante Reunião da Comissão Regional Norte do Conselho Federativo Nacional da FEB, em Belém, Pará.)