Revista Reformador

O Espiritismo na maior enciclopédia do mundo

Atualmente, a Wikipédia – maior enciclopédia eletrônica do mundo – contém artigos em mais de 300 idiomas, inclusive na Língua Internacional Esperanto. Apenas em português existem mais de um milhão de artigos. Se uma enciclopédia com cerca de 16 mil verbetes poderia ocupar facilmente mil páginas impressas, quantas páginas não seriam necessárias para imprimir a Wikipédia em língua inglesa com seus mais de cinco milhões de artigos?

Não apenas os números são impressionantes, mas também seu alcance. A Wikipédia está entre os cinco sites mais acessados de todo o planeta. Encontram-se hoje em Esperanto dezenas de artigos sobre Espiritismo e temas correlatos, desde um verbete sobre a Revista Espírita até um artigo sobre Francisco Cândido Xavier.

Há um ano e meio os artigos sobre temas espíritas na Wikipédia em Esperanto passaram por uma larga revisão, ocasião em que muitos deles ganharam notas, referências bibliográficas, correções ortográficas, acréscimos e imagens ilustrativas, como o verbete sobre a Federação Espírita Brasileira (FEB). Neste período novos artigos surgiram, por exemplo, uma pequena biografia de Amélie-Gabrielle Boudet, esposa de Allan Kardec.

O trabalho culminou com a criação do Portal Espiritismo (em Esperanto: Portalo Spiritismo, cujo endereço é https:// eo.wikipedia.org/wiki/Portalo:Spiritismo), o qual existe também na Wikipédia lusófona, por exemplo. Trata-se de um espaço dentro da Wikipédia, à semelhança de outros portais já existentes, em que estão reunidos artigos relevantes, calendário de eventos, citações, imagem do mês e orientações sobre como contribuir. O trabalho é feito por voluntários.

Dois episódios inspiraram esta iniciativa.

No livro Monumento de Carlo Bourlet¹ – coletânea de artigos compilados por Ismael Gomes Braga e publicados pela FEB Editora – tomamos conhecimento do primeiro exemplo de congresso não-esperantista, cuja língua de trabalho seria o Esperanto. O autor do texto, o eminente esperantista francês Carlo Bourlet, falecido em 1913, fazia referência a um congresso católico que estava prestes a se realizar. Bourlet não apenas saúda o congresso, mas também afirma que “esta é a verdadeira maneira pela qual o Esperanto criará raízes definitivas no mundo”.

O segundo episódio encontra-se no livro Mi estas homo² – coletânea de textos escritos por L. L. Zamenhof, iniciador do Esperanto. Ao longo de sua vida terrena Zamenhof dedicou-se de forma consistente à confraternização dos povos, não apenas por meio de uma língua  comum, mas também por meio de um código de conduta moral comum, inspirado no pensamento de Hilel, ou Helil (duas formas do mesmo nome). Ele próprio afirmou que o Esperanto era apenas uma parte de sua vida.

O referido código foi inicialmente batizado de Hilelismo. Posteriormente, tendo-o revisto e ampliado, Zamenhof lança-o novamente como Homaranismo. Não lhe faltaram críticos, os quais receavam que a ligação de Zamenhof com a causa Homaranista pudesse trazer prejuízos para a causa Esperantista. A um de seus críticos Zamenhof responde com total desassombro.

Fazendo referência à Declaração do Esperantismo,³ assinada em 1905 por ocasião do 1º Congresso Universal de Esperanto ocorrido na França, Zamenhof afasta toda e qualquer preocupação sobre suas ações particulares. Segundo a Declaração, esperantista é todo aquele que sabe e usa a língua Esperanto, não importando para que fins. Zamenhof propõe a seu crítico que a cada um que o abordasse, expressando apreensão por sua atuação em favor do Homaranismo, ele apresente a Declaração sobre a essência do Esperantismo.

Além do incentivo de vários mentores espirituais, é justamente a Declaração que dá total legitimidade ao trabalho dos espíritas em prol da divulgação do Espiritismo por meio do Esperanto.

Não por acaso a língua inglesa tem tamanha expressividade em todo o mundo. Sua relevância se explica por sua vastíssima utilização em todas as áreas do saber. É desejável e essencial, portanto, que os espíritas nos dediquemos
e nos especializemos na obra de divulgação do Evangelho e do Espiritismo por meio do Esperanto. Não se trata de misturar as coisas, mas de aplicar a Língua Internacional à nobre causa espírita, de forma a desenvolver a terminologia necessária que permitirá a tradução da vasta literatura disponível, por exemplo, em Língua Portuguesa.

Inspirando-nos nas palavras de Bourlet e Zamenhof: apenas assim o Esperanto fincará raízes no mundo, quando os espíritas o utilizarem entre si, assim como tantos outros o fazem em diversas áreas, da Ciência à Filosofia. A cada um que nos abordar receando por nossa atuação, possamos dizer, como Zamenhof: Não temos, pois, a Declaração?

REFERÊNCIAS:
¹ BRAGA, Ismael Gomes. (Org). Monumento de Carlo Bourlet. Rio de Janeiro: FEB, 1940.
² KORĴENKOV, Aleksander. (Org). Mi estas homo. Kaliningrado: Sezonoj, 2006.
³ Disponível em: http://boulogne2005. online.fr/eo/historio/esperantismo. pdf Acesso em: 4 nov. 2018.