Revista Reformador

O Livro dos Espíritos¹

[…] Seus adversários [do Espiritismo] só o combatem porque não o compreendem. Cabe a nós, aos verdadeiros espíritas, aos que veem no Espiritismo algo além de experiências mais ou menos curiosas, fazê-lo compreendido e espalhado, tanto pregado pelo exemplo quanto pela palavra. O livro dos espíritos teve como resultado fazer ver o seu alcance filosófico. Se esse livro tem algum mérito, seria presunção minha orgulhar-me disso, porquanto a Doutrina que encerra não é criação minha. Toda honra do bem que ele fez pertence aos sábios Espíritos que o ditaram e quiseram servir-se de mim. Posso, pois, ouvir o elogio, sem que seja ferida a minha modéstia, e sem que o meu amor-próprio por isso fique exaltado. Se eu quisesse prevalecer-me disto, por certo teria reivindicado a sua concepção, em vez de atribuí-la aos Espíritos; e se pudesse duvidar da superioridade daqueles que cooperaram, bastaria considerar a influência que ele exerceu em tão pouco tempo, só pelo poder da lógica, sem contar com nenhum dos meios materiais próprios para superexcitar a curiosidade.

¹ N.R.: KARDEC, Allan. Revista Espírita: jornal de estudos psicológicos. ano 3, n. 10, out. 1860. Banquete oferecido pelos espíritas lioneses ao Sr. Allan Kardec, it. Resposta do Sr. Allan Kardec. Trad. Evandro Noleto Bezerra. 4. ed. 1. imp. Brasília: FEB, 2019.