Revista Reformador

Paisagem mental

Joanna de Ângelis (Espírito)

Inscrevem-se em todas mentes, pensamentos, palavras e atos.

As paisagens mentais de cada ser humano resultam das suas reflexões, assim como dos seus interesses. Tudo aquilo que o atrai, impregna a mente, passando a fazer parte do seu patrimônio, que será utilizado oportunamente, quando as circunstâncias assim o impuserem.

A vida mental é, pois, o somatório das construções psíquicas que permanecem dando lugar às realizações e atividades do ser no seu processo de evolução. Em consequência, cada ser reside no local psíquico onde deposita as suas ideias.

São elas o natural resultado dos hábitos mantidos durante a vilegiatura orgânica.

Todo pensamento que passa pelos registros mentais deixa traços de alto significado que, pela sucessão da ocorrência, transforma-se em cultivo para a reprodução oportuna, pelo automatismo dos equipamentos eletrônicos que constituem os chips de registro de tudo que ocorre.

Portanto, tal vida conforme os ajustamentos mentais.

Jesus afirmou com muita beleza: “Onde estiver o vosso tesouro aí estará também o vosso coração” [Mateus, 6:21].

Equivale dizer: onde estiverem as tuas ideias, estará a tua realidade, o ser que és.

O seu Evangelho, em sua proposta de terapia preventiva aos males da existência física, oferece a ensementação operosa, gentil e produtora de frutos nutrientes.

Em todos os momentos suas páginas registam as ocorrências edificantes; mesmo quando os primeiros registos apresentem algo de mau, a sua diretriz demonstrará o resultado equivalente aos seus conteúdos.

Não estranhes, pois, o pessimismo, o pânico e a insegurança quando fores defrontado com os testes do movimento da existência humana planificada para vivência da plenitude naqueles indivíduos de mente desabituada a reflexões positivas e a fixações primorosas, que serão as primeiras reações às manifestações do dia a dia.

Expulse-se da mente o hábito do mal julgamento, em particular quando chamam a atenção as más qualidades. Há razões que escapam ao observador apressado que tomam cada pessoa específica ou especial.

Compreendamos que existe em todos os seres humanos a outra face, isto é, o outro lado, talvez, sombrio, como num espelho.

A realidade é que ninguém se sente feliz por inspirar antipatia ou desagrado. E, se por acaso demonstra que sim, está oculto um conflito perverso que desarticula o seu possuidor.

Elege os melhores pensamentos, mesmo quando a situação for extremamente perigosa e negativa.

Vive-se num Universo de leis inalteráveis que funcionam por automatismos inflexíveis.

Se pensas bem, num momento mau, tornas o clima mental menos denso, portanto, favorável a um resultado inesperado.

Esforça-te por ser gentil com todos, pois que a gentileza, como afirma o brocardo popular, gera gentileza.

Conserva a ideia da vitória em circunstâncias aziagas, porque, mesmo quando o resultado não é positivo, o aprendizado é de alto coturno.

O pântano ignora a podridão que exala.

O matagal não sabe os prejuízos que produz…

A peste ignora as vidas que arrebata.

Desse modo, drena as águas paradas e dá-lhes movimento, capina a erva má e retira a mata que agasalha ofídios e aracnídeos perigosos e transforma o terreno em formoso jardim.

Precata-te da pestilência e a saúde triunfará em teu organismo.

A vida é um convite intérmino à ação edificante.

Cuida do teu jardim mental.

As boas conversações são os maravilhosos instrumentos da edificação do Bem.

As palavras carregam as vibrações do tônus que as envolvem. Nem sempre é o som do verbo, mas a emissão do seu conteúdo moral que tem significado.

Como não podes viver sem pensar, habitua-te a reflexionar nas belezas da vida: o desabrochar de uma flor, o gotejar da água, o leve perfume da brisa que beija o roseiral, as coisas simples da Natureza…

As questões complexas exigem mentes que sabem elaborar esquemas e equacionar enigmas.

Sê simples e acaricia tudo que é delicado e desconsiderado.

Sorri ante um amanhecer irizado da luz do Sul ou o poente em fogo do entardecer.

Olha a vegetação numa greta de pedra onde caiu um pólen, manifestando o poder da vida.

Detém-te e examina um grão de areia que reflete a luz, um pirilampo que brilha no escuro, e descobrirás a maravilha da vida em mil manifestações surpreendentes que fascinam.

Pensa em Deus, analisando a sua obra e deslumbrando-te com um colibri no ar ou uma borboleta leve e também flutuante, bailando ao vento brando, ou uma laboriosa abelha, produzindo mel e fecundando a Natureza sem o saber.

Considera que a tua mente é um jardim portador de belezas inimagináveis. Seleciona o que nele irás plantar, com a certeza, porém, de que colherás conforme a semente que lhe entregares aos cuidados

Jesus foi peremptório, afirmando que: “[…] A cada um segundo as suas obras” [Mateus, 16:27].

Normalmente o momento da desencarnação libera a memória que evoca toda a existência, especialmente aquilo que mais se fixou na mente através da repetição.

Essas fixações são os pensamentos comezinhos, constantes, viciosos.

Desse modo, vive de maneira que, ao desencarnar, a tua memória te abençoe com o jardim de pensamentos elevados, a fim de poderes seguir feliz desde esse momento.

(Página psicografada pelo médium Divaldo Pereira Franco, na sessão mediúnica da noite de 15 de junho de 2020, na Mansão do Caminho, em Salvador, Bahia