Revista Reformador

Deus, como conhecê-lo?

“Assim como o Pai me conhece, eu também conheço o Pai e
entrego a minha vida pelas ovelhas.” Jesus (João, 10:15.)¹

J. Carlos Silveira*
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Resumo

Conhecer Deus, na intimidade, representa o maior ideal do ser humano, porquanto esse ideal reflete a busca da criatura por seu Criador. Indissolúveis, decerto, os laços que ligam o Espírito a Deus. Mas esses liames não são aptos, em si mesmos, para favorecer a compreensão da natureza íntima do Criador. É preciso, para tanto, construir uma sintonia profunda com o Pai Celeste, por meio da conjugação de três fatores principais: o sentimento, o autoconhecimento e a reforma íntima.

Palavras-chave

Conhecer Deus; ideal; sentimento; autoconhecimento; reforma íntima. Habituamo-nos a colocar nosso relacionamento com Deus nas mãos dos representantes das diversas crenças religiosas, supondo-os bastante poderosos para elevar súplicas ao Criador em nosso benefício. Sem embargo da imensa valia das preces feitas por outrem, quando sinceras e desinteressa das, importa reconhecer que a ninguém é cerceado o direito de orar pessoalmente a Deus e ser por Ele ouvido, na qualidade de filha ou filho muito amados. É o que ensina Jesus, quando nos aconselha a orar dizendo “Pai Nosso, [que estás] nos céus, santificado seja o teu nome […]” (Mateus, 6:9).²

Nem mesmo uma previsível vergonha, resultante do vislumbre de nossas imperfeições em face da Perfeição Paterna, justificaria o acanhamento de convergir para Deus nossas preces. Deveras, sendo Deus a causa de tudo o que não é obra do ser humano, todos nós – Espíritos encarnados na Terra – fazemos, necessariamente, parte da Cria ção Divina: somos o efeito da Causa Primeira, que nos criou³. Essa causa é em nós inata, tal como inata, em todo efeito, é a causa que o produz; logo, por mais falhos sejamos, nosso vínculo com Deus é originário e indestrutível, como inquebrantável e primordial é a união de todo efeito com sua causa⁴. Adquirir tal convicção apresenta-se fundamental à marcha progressiva do Espírito.

Alçar a Deus o pensamento é, por isso mesmo, um ato na tural de Adoração⁵. E tal sucede de maneira involuntária: basta pensar no Bem – manifestação excelsa da Lei de justiça, amor e caridade⁶ − para nos aproximarmos do Criador⁷.

Com efeito, diz-nos Léon Denis:

Tudo nos fala de Deus, o visível e o invisível. A inteligência o discerne; a razão e a inteligência o proclamam.

Mas o homem não é somente razão e consciência: é também amor. O que caracteriza o ser humano, acima de tudo, é o sentimento, é o coração. O sentimento é privilégio da alma; por ele a alma se liga ao que é bom, belo e grande, a tudo que merece sua confiança e pode ser sustentáculo na dúvida, consolação na desgraça. Ora, todos esses modos de sentir e de conceber nos revelam igualmente Deus, porque a bondade, a beleza e a verdade só se acham no ser humano em estado parcial, limitado, incompleto. A bondade, a beleza e a verdade só podem existir sob a condição de encontrar seu princípio, plenitude e origem em um ser que as possua no estado superior, no estado infinito.⁸

Depreende-se do ensina mento de Denis que, embora tudo nos fale de Deus, é o sentimento, em especial, que inicia nosso vínculo mais estreito com Ele. E isso porque, pelo sentimento, ligamo-nos à verdade, ao belo e ao bem.

Efetivamente, o sentimento desperta-nos o fascínio pelo Bem. Cala-se toda discussão. Prevalecem apenas o encantamento e o júbilo diante da luz esplendorosa da Sublime Bondade irradiando sobre os entes humanos e expandindo-se, em expressões de ternura, no colorido das flores, nas tonalidades das folhagens e na agitação dos inumeráveis seres vivos, ansiosos por subsistir. Deus faz-se presente em toda parte, tudo saturando de uma vida que por amor se estende, sem nunca perecer.⁹

Dessa forma, se a inteligência não tem ainda prerrequisitos para analisar Deus com exuberante clareza, o sentimento dá-nos plenas possibilidades de percebê-lo no fulcro da alma. E isso basta, por ora, considerando-se que nossa ligação com o Pai Celeste pelo sentimento é suscetível de nos inflamar de fé: uma fé que, mesmo do tamanho de um grão de mostarda, é capaz de mover o monte de nossas imperfeições¹⁰ (Mateus, 17:20).

Inobstante esse ímpeto para o Criador, esclarece a Doutrina Espírita que, para compreendê-lo, no mistério de sua íntima Natureza, falta-nos o sentido¹¹. Quando levantarmos, porém, o véu material que nos obscurece o entendimento, as faculdades, já aprimoradas, habilitar-nos-ão a ver Deus e a compreendê-lo¹². É então que seremos capazes de realmente conhecer o Pai e amá-lo.

De que modo, entretanto, aprimorar as características que nos são intrínsecas por herança divina, de forma a compreender, um dia, a natureza íntima do Criador? − é a pergunta que aflora na alma.

Para responder, é necessário examinar, primeiramente, a natureza de nossa impulsão para Deus. É, em verdade, tão genuíno esse arrebatamento que não raro tende a transformar-se, com o tempo, num deslumbrante ideal, a arrastar-nos de nossa pequenez à magnitude da Glória Divina.

Não resta dúvida que a existência humana só é produtiva com um ideal que a oriente. Um existir sem ideal é uma vida sem rumo, triste e vazia, porque sem motivação. Mas há ideais que se circunscrevem a determinadas metas que, uma vez satisfeitas, propiciam o tédio das expectativas que se não refazem. Daí o instinto de conservação, presente em a Natureza, suscitar o renovamento dos ideais, com vistas à mudança de incentivos na trajetória do ser.

Assim entendendo, constatamos que o ideal de conhecer Deus se mantém permanentemente renovado, compelindo-nos a aperfeiçoar, passo a passo, nossas qualidades, na ânsia de uma perfeição que, pelo fato de ser inatingível − pois somente o Criador possui a Perfeição Absoluta −, conserva-nos seguidamente ativos e confiantes no Bem. E o Bem – como vimos – é a expressão máxima da Lei de Deus¹³.

Portanto, conhecer Deus é o ideal maior, levando ao aprimoramento ininterrupto de nossas faculdades. É esse ideal, por assim dizer, o efeito que sonha encontrar sua causa, reconsiderando, sob o prisma dos valores eternos, os interesses da existência física.

Sob o elã de conhecer Deus, admitimos, logo de início, a urgência de fazer uma viagem introspectiva, de maneira a detectar, no cerne da alma, as imperfeições, responsáveis, todas elas, pelo atraso de nosso encontro íntimo com o Criador. É imprescindível, pois, como afirma Allan Kardec, amadurecer o senso moral, para que a inteligência tenha melhores condições de atingir o verdadeiro sentido das coisas¹⁴. O autoconhecimento passa a ser, assim, o ponto de partida para o trabalho de reforma íntima que devemos empreender para a compreensão da Divindade.

Quando firmamos o convencimento desse percurso para conhecer Deus, assoma em nós o intuito de descobrir meios que possam estreitar nosso laço emocional com o Pai Celeste, anelando por usufruir, quanto possível, o carinho da Divinal Presença.

Esse desiderato, contudo, não será atingido direcionando ao Criador uma prece superficial, como de hábito fazemos. Uma rogativa comum não estabelecerá, com certeza, uma união realista com Deus. É preciso que nossa prece seja de tal maneira tocante que nos vejamos impulsionados a abrir-nos com o Pai Eterno, como procedemos com nossos genitores e amigos mais íntimos, quando lhes confidenciamos o que sentimos no fundo da alma. Nosso colóquio com o Pai dos Céus, todavia, inclina-se a alcançar uma intensidade maior, porque Ele conhece todos os escaninhos de nossa individualidade, sustando-nos o uso de qualquer subterfúgio de ocultação. E o acolhimento de Deus à confiança que depositamos em sua Divina Sabedoria mostra-se de imediato, em forma de coragem, paciência, resignação e inspiração¹⁵, elevando ao ápice de nossas condições o teor vibratório do comovente diálogo.

À luz desses raciocínios e dentro do alcance de nosso atual ponto evolutivo, passemos, então, a esboçar uma conversa íntima com Deus. Entrever o clima de uma conversação desse jaez parece-nos imensamente útil para o refinamento da sensibilidade, fonte inexaurível de estímulo à renovação interior.

Assim ideando, e ouvindo os chamados da consciência, oremos.

Pai Celeste, Senhor Nosso, permite que nos aconcheguemos em teu Seio.

Sabemos que tu nos conheces integralmente, pois nos criaste, e nos insuflas constantemente de vida, inspirando-nos a esperança e o bom ânimo a cada passo do caminho. Sentimos, entretanto, Pai Eterno, uma necessidade imperiosa de confiar-te os mais profundos sentimentos e as mais intrincadas perplexidades que guardamos no recôndito da alma, certos de que nosso desabafo receberá a melhor acolhida de teu Infinito Amor.

Referem-se muitos a ti, Pai Amado, como se fosses um invento da mente humana, inepta para interpretar a vida. Insensatez clamorosa, fruto da vaidade de um pretenso saber!

Afirmam também esses tantos que o Universo, com todas as maravilhas que o compõem, é uma decorrência das propriedades da matéria, ou, ainda, do acaso¹⁶, negando, dessa maneira, a força inteligente que resplandece na obra da Natureza. Outro avultado desvario, de consequências dolorosas para o equilíbrio da lógica, a duras penas aprendida no curso da razão!

Tais discursos de superfície mostram-se, no entanto, alheios às almas aspirantes ao belo e aos sentimentos puros, ainda que essas aspirações sejam quais sonhos reconfortantes, preparando-as para outros cenários de cognição. Nada obstante esse nosso anelo por ti, Senhor, imensa é a montanha de obstáculos que devemos enfrentar para alcançar-te a intimidade.

Já aceitamos, porém, que o roteiro para conhecer-te principia com o autoconhecimento, por que somente distinguindo quem realmente somos adquirimos a capacidade de identificar as imperfeições que nos impedem de comungar com tua Pureza.

Mesmo assim, Pai dos Céus, temos tantas dúvidas no que respeita ao que é certo e ao que é errado perante tuas Leis que, muitas vezes, vemo-nos indecisos na avaliação de nossos reais sentimentos, de forma a separar das reais virtudes as imperfeições que nos maculam e devem ser corrigidas. Assim é que nos indagamos se a prudência que entendemos nutrir, no tocante ao desperdício dos bens materiais, não seria apenas uma demonstração de avareza, e, igualmente, se nossa pretendida dignidade não poderia ser, por sua vez, apenas manifestação de orgulho¹⁷. Quantas vezes, ainda, mesmo querendo auxiliar os que amamos, não teremos contribuído para agravar os males que os sobrecarregam!

Ajuda-nos a dirimir essas incertezas, Pai Celeste, para que possamos abraçar, resolutamente, o ideal de conhecer-te. Amplia-nos a visão, Senhor, ainda que, para isso, seja inevitável passar por árduas vivências, a fim de robustecer o amor que tu nos transmitiste quando nos criaste.

Concebemos que somente esse amor, dilatando-se na alma, tornar-nos-á habilitados a distinguir o mal em tudo o que desse amor se distancie¹⁸. Ensina-nos, então, Pai Eterno, a amar saben do querer o verdadeiro bem para o próximo e o melhor para nós¹⁹.

Auxilia-nos, Querido Pai, a cultivar a pureza de coração, a fim de que nele não se aninhem outros intentos que não sejam os do bem ao próximo e a nós mesmos, de modo a conseguir surpreender as imperfeições que se disfarçam de virtudes, turvando de inquietação a estrada que nos conduz a ti. Sustenta-nos, Pai dos Céus, para não enodoarmos o elo que se constituiu, por ato de tua Vontade, entre nós – Espíritos nascentes – e tua Essência de Criador.

Compreendemos, Pai Amado, que nossas imperfeições resultam do livre-arbítrio dirigido ao cultivo de sentimentos inferiores, sentimentos esses que engendraram os hábitos infelizes que nos retêm cativos do erro, retardando-nos o avanço espiritual. Inspira-nos, pois, Senhor, e fortifica-nos a vontade, para que consigamos persistir no processo de reforma íntima, atraindo os Amigos Invisíveis que, em teu Nome, procuram socorrer-nos, incentivando-nos e fortalecendo-nos até a vitória final!

E, especialmente, Pai Querido, que nossa perseverança receba do Mestre Jesus a bênção sublime de seu permanente amparo.

Finalmente, Senhor, ajuda-nos a preservar, no imo da alma, a paz, a força, a fé e a esperança que sentimos nestes momentos indescrití veis em que dialogamos com teu Coração. Fica conosco, Pai Nosso. Sê, para sempre, o refúgio de nossas vidas, a fim de que possamos ver o mundo através de ti.

Assim seja!

Após esse delineio de um diálogo intenso com Deus, encerremos estas abstrações alicerçados em Emmanuel. Na bela página Somos de Deus, o nobre mentor espiritual enfatiza nossa vinculação permanente com o Criador, acentuando que a ideia de isolamento do Pai Celeste é fruto dos conflitos que nos constrangem a alma: o orgulho, o egoísmo, a vaidade, a ambição, a revolta e a ansiedade²⁰.

Na maioria das vezes, [assevera Emmanuel] demoramo-nos no sombrio cárcere da separação, distraídos, enganados, cegos… Contudo, a vida continua, segura e forte, semeando luz e oportunidade para que não nos faltem os frutos da experiência.

Pouco a pouco, o trabalho e a dor, a enfermidade e a morte, compelem-nos a reconsiderar os caminhos percorridos, impelindo-nos a mente para zonas mais altas. Não desprezes, pois, esses admiráveis companheiros da jornada humana, porquanto, quase sempre, em companhia deles é que chegamos a compreender que somos de Deus.²¹

Sim, somos de Deus – repetimos –, vivemos imersos na ema nação do Criador, e somente com tal entendimento ser-nos-á factível escalar as graduações do progresso, ajustando, pouco a pouco, os moldes de nossa cons ciência aos eternos atributos da Consciência Divina.

*N.A.: Membro do Conselho Superior da FEB. Articulista da revista Reformador. Tradutor dos livros: A história do espiritualismo, de Arthur Conan Doyle, e O elo perdido, de Leah Fox – Brasília (DF).
REFERÊNCIAS:
¹ DIAS, Haroldo Dutra. (Trad.). O novo testamento. 1. ed. 16. imp. Brasília, DF: FEB, 2025. João capítulo 10, it. O bom pastor
² DIAS, Haroldo Dutra. (Trad.). O novo testamento. 1. ed. 16. imp. Brasília, DF: FEB, 2025. Mateus capítulo 6, it. Três “Obras de justiça” e a oração “Pai Nosso”.
³ KARDEC, Allan. O livro dos espíritos. Trad. Evandro Noleto Bezerra. 4. ed. 14. imp. Brasília, DF: FEB, 2024. q. 4.
⁴ AGUAROD, Angel. Grandes e pequenos problemas. Trad. Guillon Ribeiro. 8. ed. 1. imp. Brasília, DF: FEB, 2021. cap 2 – O problema de amar a Deus, it. 2.1 Da inconsciência à consciência.
⁵ KARDEC, Allan. O livro dos espíritos. Trad. Evandro Noleto Bezerra. 4. ed. 14. imp. Brasília, DF: FEB, 2024. q. 5, c/c com as q. 649 e 650.
⁶ KARDEC, Allan. O livro dos espíritos. Trad. Evandro Noleto Bezerra. 4. ed. 14. imp. Brasília, DF: FEB, 2024. q. 630, c/c com a q. 648.
⁷ KARDEC, Allan. O livro dos espíritos. Trad. Evandro Noleto Bezerra. 4. ed. 14. imp. Brasília, DF: FEB, 2024. q. 649
⁸ DENIS, Léon. O grande enigma. 16. ed. Brasília, DF: FEB, 2023. 1a pt. Deus e o Universo, cap. VI – As leis universais.
⁹ FLAMMARION, Camille. Deus na natureza. Trad. Manuel Quintão. 7. ed. Brasília, DF: FEB, 2002. Tomo V – Deus.
¹⁰ DIAS, Haroldo Dutra. (Trad.). O novo testamento. 1. ed. 16. imp. Brasília, DF: FEB, 2025. Mateus capítulo 17 it. O endemoniado epilético.
¹¹ KARDEC, Allan. O livro dos espíritos. Trad. Evandro Noleto Bezerra. 4. ed. 14. imp. Brasília, DF: FEB, 2024. q. 10, c/c a q. 18.
¹² KARDEC, Allan. O livro dos espíritos. Trad. Evandro Noleto Bezerra. 4. ed. 14. imp. Brasília, DF: FEB, 2024. q. 11.
¹³ KARDEC, Allan. O livro dos espíritos. Trad. Evandro Noleto Bezerra. 4. ed. 14. imp. Brasília, DF: FEB, 2024. q. 630.
¹⁴ KARDEC, Allan. O livro dos espíritos. Trad. Evandro Noleto Bezerra. 4. ed. 14. imp. Brasília, DF: FEB, 2024. Comentário de Kardec à q. 11.
¹⁵ KARDEC, Allan. O evangelho segundo o espiritismo. Trad. Evandro Noleto Bezerra. 2. ed. 14. imp. Brasília, DF: FEB, 2023. cap. 27, it. 7.
¹⁶ KARDEC, Allan. O livro dos espíritos. Trad. Evandro Noleto Bezerra. 4. ed. 14. imp. Brasília, DF: FEB, 2024. q. 7 e 8.
¹⁷ KARDEC, Allan. O livro dos espíritos. Trad. Evandro Noleto Bezerra. 4. ed. 14. imp. Brasília, DF: FEB, 2024. Comentário de Kardec à q. 919.
¹⁸ KARDEC, Allan. O livro dos espíritos. Trad. Evandro Noleto Bezerra. 4. ed. 14. imp. Brasília, DF: FEB, 2024. q. 648.
¹⁹ KARDEC, Allan. O livro dos espíritos. Trad. Evandro Noleto Bezerra. 4. ed. 14. imp. Brasília, DF: FEB, 2024. q. 632.
²⁰ EMMANUEL (Espírito). Vinha de luz. Psicografado por Francisco Cândido Xavier. 28. ed. 14. imp. Brasília, DF: FEB, 2024. cap. 84 – Somos de Deus.
²¹ EMMANUEL (Espírito). Vinha de luz. Psicografado por Francisco Cândido Xavier. 28. ed. 14. imp. Brasília, DF: FEB, 2022. cap. 84 – Somos de Deus.