Revista Reformador

A construção coletiva

Comportamentos autoritários, personalistas, concentração de poder em pessoa física à frente das instituições são questionados e já não encontram espaço atualmente.

O modelo que vige e cada vez mais se vai consolidando é o do Colegiado, por possibilitar o aproveitamento de experiências diversificadas dos seus componentes; uma visão plural, mais abrangente; amadurecimento; reflexão; convencimento; e segurança nas escolhas a serem deliberadas.

Em se tratando da gestão das instituições espíritas, cujos responsáveis são sabedores de que o trabalho a ser realizado é de ambos os planos da vida, vale ressaltar que o momento é apropriado para refletir se o modelo praticado está calcado nas decisões e deliberações pessoais ou se está sedimentado em decisão colegiada, participativa e solidária.

Quando buscamos o exemplo daquele que é o modelo e guia da Humanidade – Jesus –, verificamos que, há dois mil anos, Ele já havia estabelecido o modelo a seguir; no entanto, durante este período, seu exemplo foi esquecido e as gestões pautadas pelo caminho do despotismo, do autoritarismo, da concentração do poder na vontade individual dos soberanos. Somente agora, devido a experiências infelizes, é que os estudiosos e a prática vêm demonstrando que o seu modelo – o de colegiado –, é eficaz, seguro, participativo, solidário e tolerante.

Na realidade, um laboratório para o despertar de virtudes santificantes.

Ao trabalhar em colegiado, com Jesus, forma-se o ambiente adequado para as inspirações espirituais, para a anulação da vaidade, do orgulho, e a evidência do coletivo possibilita resultados impessoais, mas comuns a todos.

O colegiado, à luz do Evangelho, proporciona aos seus membros o desenvolvimento da humildade e do amor, virtudes necessárias para os trabalhadores da Seara do Mestre, além de desenvolver, em seus componentes, o desprendimento e a prática da caridade.

Desse modo, os que ainda não estão praticando o modelo utilizado por Jesus devem pensar no testemunho que estão dando como trabalhadores da Seara do Mestre.

Por isso, numa visão perfeita do exemplo dado por Jesus, Allan Kardec recomenda o trabalho solidário e tolerante, porque, no modelo considerado do passado, não há espaço nem oportunidade para a prática da sua recomendação, diferentemente do que sucede na construção coletiva, em que a solidariedade e a tolerância se fazem absolutamente necessárias.