Revista Reformador

Oração do Natal¹

Meimei (Espírito)

Rei Divino, na palha singela, por que te fizeste criança, diante dos homens, quando podias ofuscá-los com a grandeza do teu Reino?

Soberano da Eternidade, por que estendeste braços pequerruchos e tenros aos pastores humildes, mendigando-lhes proteção, quando o próprio firmamento te saudava como uma estrela sublime, emoldurada de melodias celestes?

Certamente, vinhas ao encontro de nosso coração, para libertá-lo.

Procuravas o asilo de nossa alma, para convertê-la em harpa nas tuas mãos.

Preferias esmolar segurança e carinho, para que, em te amando, de algum modo, na manjedoura esquecida, aprendêssemos a amar-nos uns aos outros.

Tornavas-te pequenino para que a sombra do orgulho se desfizesse em torno de nossos passos, e pedias compaixão, porque não nos buscavas por adornos do teu carro de triunfo, como vassalos de tua glória, mas sim por amigos espontâneos de tua causa e por tutelados de tua bênção…

E modificaste, assim, o destino das nações. Colocaste o trabalho digno, onde a escravidão gerava a miséria, acendeste a claridade do perdão, onde a noite do ódio assegurava o império do crime, e ensinaste-nos a servir e a morrer, para que a vida se tornasse mais bela…

É por isso que, ajoelhados em Espírito, recordando-te o berço pobre, ofertamos-te o coração…

Arranca-o, Senhor, da grade do nosso peito, enferrujado de egoísmo, e faze-o chorar de alegria, no deslumbramento de tua luz!… Conduze-nos, ainda, aos tesouros da humildade, para que o poder sem amor não nos enlouqueça a inteligência, e deixa-nos entoar o cântico dos pastores, quando repetiam, em pranto jubiloso, a mensagem dos anjos:

– Glória a Deus nas alturas, paz na Terra e boa vontade para com os homens!…

¹N.R.: XAVIER, Francisco C. Antologia mediúnica do Natal. Espíritos diversos. 7. ed. 1. imp. Brasília, DF: FEB, 2017. cap. 65.