Terceiro período
Allan Kardec, em O livro dos espíritos, na Conclusão, item V, esclarece a respeito dos períodos em que as ideias espíritas se desenvolverão. Vejamos a seguir:
Três períodos distintos apresenta o desenvolvimento dessas ideias: primeiro, o da curiosidade, que a singularidade dos fenômenos produzidos desperta; segundo, o do raciocínio e da filosofia; terceiro, o da aplicação e das consequências. O período da curiosidade passou; a curiosidade dura pouco. Uma vez satisfeita, muda de objeto. O mesmo não acontece com o que desafia a meditação séria e o raciocínio. Começou o segundo período, o terceiro virá inevitavelmente [trad. Guillon Ribeiro, FEB Editora].
Atualmente, justo neste momento em que a transição planetária se intensifica a cada dia, vive-se a necessidade urgente de transitar do estudo teórico para a vivência prática e a divulgação ativa dos princípios cristãos.
Estamos todos, principalmente os espíritas cristãos, diante do desafio de migrar do estudo teórico para a vivência prática. Para isto, fazem-se necessárias ações mais efetivas no contexto da vivência, sem jamais fugir das bases doutrinárias já estabelecidas na Codificação.
O compromisso atual é o de sentir, refletir e aprofundar o conhecimento, mas, acima de tudo, focar na vivência como meio de iluminar-se, esclarecendo a mente e consolando o coração.
Tornar a teoria espírita uma realidade vivida, garantindo que os fundamentos centrais não sejam perdidos, não é um processo fácil, exige grande esforço para domar as inclinações ainda más, porém é o caminho único a ser empreendido se há o ensejo de progresso.
Essa habilidade de converter os princípios da Doutrina em roteiros de ação concretos auxiliam na regeneração individual e coletiva, equilibra o essencial com o atual, mantém os pés nos fundamentos eternos, enquanto as mãos trabalham nas necessidades do presente, transformando a reflexão teórica em um compromisso de sentir e agir de forma renovadora.
Vivenciar a Doutrina exige vigilância, perseverança no Bem e discernimento constante, para que as fantasias e interesses transitórios do mundo não desviem o foco da missão espiritual de cristianização individual e coletiva da Humanidade.
O terceiro momento, anunciado por Kardec, é o atual, que, diante das crises, está a exigir que o conhecimento seja aprofundado para gerar uma vivência regeneradora pelo testemunho.
Sejamos nós, portanto, os que já detemos a compreensão essencial da mensagem do Cristo, a não hesitar diante do testemunho consciente e responsável, pois somos protagonistas do terceiro momento: o da aplicação da Doutrina e suas consequências.
Prossigamos intimoratos! Jubilosos pela oportunidade de vivenciar a Doutrina Espírita.